quarta-feira, 8 de julho de 2009

O Coronel


Tenho acompanhado perplexa os acontecimentos recentes no Senado.
Quando penso não ser possível mais nenhuma sujeira vinda dos "governantes" da nação, eis que surgem mais escândalos e picuinhas que eles insistem em varrer para debaixo do tapete.
A "bola da vez" é justamente o presidente da casa, José Sarney. Este ícone político brasileiro, há mais de meio século se mantém atuante no Congresso Nacional. Já foi deputado, governador, senador, presidente da república... Atualmente é senador do Amapá ( mas mantém Maranhão sob "gerência" de sua família. O clã dos Sarney se espalhou como praga em cargos públicos, ele tem filhos, netos, sobrinhos, papagaios, periquitos e peixinhos dourados ocupando por "mérito" cargos um pouco menos acessíveis a nós, os não-sarneys. Para mim, trata-se de uma família unida.), estado com o qual não tem ligação alguma. O Presidente do Senado é um senhor de "mente aberta", que construiu sua carreira política adequando sua ideologia àquilo que lhe fosse conveniente. E deu certo. São 54 anos presentes na vida dos brasileiros e brasileiras.
Cinquenta e quatro anos é muito tempo. Tempo suficiente para empregar toda sua família, contratar mordomos, comprar casas bem valorizadas...
José Sarney é um homem sem dúvida inteligente, que poderia ter entrado e permanecido pra história do país graças a seus méritos diante o povo, digno dos cargos que ocupou. Entretanto, vejo Sarney como um grande aproveitador.
O presidente do Senado é foco de uma crise com repercussão nacional, que ele diz (são palavras dele!) não ser dele e sim do senado. Meu caro, se o senhor chefia a casa, o senhor também é parte do problema.
Acompanhei nos últimos dias um movimento começado na internet, o Fora Sarney, do qual participei como pude. O objetivo do movimento está explícito no nome, aposentar de vez a criatura que venho citando desde o início deste texto. Um movimento de caráter totalmente popular que repercutiu bem e que surtiu certo efeito. Membros do senado até queriam o afastamento do homem em questão, mas o presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva (que um dia já foi contra Sarney), achou que não era pra tanto. Lula disse essa semana: "Eu não vejo crise, só uma divergência no Senado". Tudo bem senhor presidente, é compreensível, já que o senhor tem estado com frequência fora do país, o senhor e a Dilma. Tudo bem mesmo já que as eleições vão chegar e vocês precisam do apoio do partido do Sarney. Tudo bem outra vez já que o senhor pouco (ou nada) sabia sobre o mensalão, dinheiro em malas e cuecas, entre outras e outras e outras coisas... E no olho do furacão, ao invés de passar clareza de informação nos esclarecimentos, óbvio que o coronel Sarney preferiu não dizer nada, e ainda se viu repórter sendo agredido por seguranças do congresso!
Isso tudo em tempos de democracia!
( De.mo.cra.ci.a: s.f. Governo do povo. / Regime político que se funda na soberania popular, na liberdade eleitoral, na divisão de poderes e no controle da autoridade. )
Ok senhores, fomos trouxas, colocamos os senhores onde estão. Mas junto com o direito de atribuirmos qualquer função a vocês está o direito de vigiar e cobrar. Que a imprensa continue nos mostrando de forma clara todos os acontecimentos. E que essa chama de renascimento ideológico acesa com estes protestos se propague na mente do povo.

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